28 de out. de 2008

sublime


um medo do novo, e só.
um sorriso, uma torre,
varias cores.

uma rua, duas ruas,
e vem, chega, vai,
mas deixa

não só.

uma sorte, um acaso,
um arrepio.

um quente, no frio.
um olhar, no vazio.
uma música, no aberto.
um incerto.

um beijo que é esperado,
caminho que é traçado,
ontem, superado.

um abraço na hora certa,
uma saudade que aperta.

uma rima, que soa música.

novos ares,
novos medos,
um frio na barriga,
um suspiro,

e só,
é só,
você.

21 de out. de 2008

saúde.

brido à vida, os novosáres e o coisêtal.
à palavra brincada, à minha face anteriormente trincada e aquela roupamassada.
brindo os meus prazes, às minhas saudades, e o teu complexo de superioridade.
brindo, de copo cheio, a simplicidade, aquela verdade que só depois descobri.
brindo à casa cheia, brindo indo, pra não voltar.

eu brindo, às minhas fases, os suspiros de ontiatarde, e algumas vitórias.
os meus agoras, os repentes e a lua.

brindo pra esquentar um agora já bem quente.
brindo às flores que enterrei, os murros que eu dei, em minha propria face.

brindo um acordar, brindo um sorrir antes de dormir.

brindo o aviso, resquícios do chão liso
onde eu insistí em pisar.

eu brindo , depois bebo.
toda essa paz, que criei, cultivei pra mim.
não paro enquanto a garrafa não chegar ao fim
me embriago das emoções,

dos clichês, dos paetês... e das respostas pros meus tantos porquês.

eu brindo e bebo.
que toda essa antigapaz, que eu cultivei, criei pra mim...
de verdade, não tenha mais fim...

eu brindo à coragem,
à moagem, e até aquela sacanagem.

eu brindo, eu brinco até o fim.
pra mostrar porquêvim...

me reerguer, me merecer...
me permitir...
eu brindo. eu brindo e bebo até o fim.
eu brindo, em minhomenagem.
brindo, pura e simplesmente
à mim.

10 de out. de 2008

brisa invisível.

pára. olha.
vê?
você vê?
sente?

pára. olha.
repara.

você consegue sentir?
meus pensamentos indámil por hora?
consegue sentir meu cheiro na brisa láfora?

você consegue sentir,
meu coração, agora refeito,
indêmbora?

pára. olha.
você consegue perceber?

palavras, jogadas, sem o mínimo valor?

consegue esquecer,
do sabor da ausência, dá úlcera de um quase,
do frio do nãomais?

pára. vê?
vê que o poder já é outro.
que a fonte, a enchente,
que afogava e nutria meus medos,
hoje, secou à luz da chuva.

repara. pára, de novo.
e entende.
se insuficiente, se presente ausênte...
é pouco. é demais.

pára. repara.
vê? você sente?

eu sinto. eu vejo,
com olhos cerrados.
olhos que cortam a metade, ao meio.
tato que aguça, janela que abre.

janela que esconde,
que fala que sente.
que esquece mas lembra.

pára. olha.

vê?
então sente!
mais clichê, impossível,
porquê hojêutô invisível
e é só pra você.

6 de out. de 2008

fiz poema.

nem feliz, nem triste...
poéta.
às vezes, um pouco proféta.
que boca maldita que tem
que olho bendito que vem
que fica... e vai.
não volta.

não fiz
nem triste, nem feliz
o poéta.
que sabe,é proféta
e é sempre mais.

que detém o dom da palavra
que quase fere, com fixos olhares,
meus mares, ressacas, saudades, egoísmos e erros.

o poéta, que com as mãos já falou.
toques de nuvens
que tiram do chão.

o poéta, que devasta
e arruma uma vida,
que bagunçada vida.
que organizada que fica.

que solitária, portanto.

o poéta, que de asas precisa
que amigo que foi.
que amigo que é?

um poéta, que me rendeu suspiros
nos papéis, alguns tiros.
nos olhos... lágrimas.

um poéta. e depois dele, só.
só palavras mais soltas
palavras libertas

de um coração que cicatriza,
que falta que sente

da poesia e música, daquele poéta... às vezes proféta.

que tudo transforma.
e hoje à sua casa retorna.

não volta. não sente. não fala. não mente.

nem triste, nem feliz.
ele foi um poéta que meu, fiz.

e hoje, sou nem triste, nem feliz.
só me sinto, de poéta, uma quase aprendiz.