23 de ago de 2009

caça às borboletas.




e no calor do meu copo seu juízo,
na timidez do meu sorriso escancarado,
na sobriedade do teu flerte debochado,

me peguei, fui pega.

e com disfarce nos meus olhos, enxergando mais escuro,
te sigo ziguezagueando.
te vejo ao cerco, cercando.

mas o quê... o quê tá faltando?

e na dança eufórica das borboletas no estômago,
vem o toque sem querer, querendo.
e no descontrole das sensações, meu corpo acaba demonstrando:

tá feito.
me peguei arrepiando.

3 comentários:

Anônimo disse...

É novo e é a sua cara! Mto bom!

Anônimo disse...

Opa! é o Fê ali em cima!

Fabrício disse...

" Diante de vários copos hora cheios, hora vazios, num vazio momento de devaneio solitário, pensar sobre, por exemplo, a composição molecular do vidro, pode ser algo normal. Relembrando aquela remota aula de química, que parecia não estar em lugar nenhum, percebo sua vitalidade em imagens que confundem geometrias angulares, lineares e o belo desenho do arranjo da água em sua forma sólida e fria na vaga transparência de um copo repleto de catarse.

Próximo ao aveludado verde e úmido da parede que me cerca, vou rememorando a função do arquegônio, que recebe da água viva e corrente a célula germinativa complementar. Sigo imaginando sua disseminação pelos tijolos desnudos das vestes típicas da alvenaria, até o ponto em que aquele canto frio e mórbido, travado por histórias passadas, seja substituído por um pequeno ecossistema, onde a vida possa recomeçar. Um pouco mais ao fundo enxergo liquens, entidades de natureza mista por reunir fungos decompositores e algas autotróficas. Características adversas, mas que no somatório definem uma condição auto-suficiente quanto das necessidades básicas da existência. Os fungos solubilizam sais minerais da superfície do substrato transferindo tal composto às algas e recebendo delas açúcar originado da fotossíntese. A matéria orgânica liberada pelos liquens constitui-se como fonte ao desenvolvimento de outros elementos numa comunidade pioneira.

Toda vez que bebo um copo de água sinto como se bebesse da própria vida. A discreta fumaça que se desprende de um copo de água acrescido de gelo revela que cerca de setenta por cento do meu organismo está sujeito às mesmas variações de estado conforme a temperatura, e que os trinta por cento restantes trabalham para evitar tais variações e também a desnaturação protéica, bem como para preservar demais funções que me mantêm vivo.

No momento em que a água adentra minha boca, vou sentindo seu trajeto pelo palato mole, excitando o nervo vago que, obstruindo a nasofaringe, libera a passagem pela orofaringe, descendo pelo esôfago até cair no estômago que então se sente refrigerado. Ao beber um copo d`água sinto que estou mais vivo, e que cada célula de meu organismo receberá nutrientes diluídos nessa água e por ela mesma os resíduos serão eliminados.

Meu corpo funciona como um corpo normal; mas o habitante desse mesmo lugar, o corpo, permanece em conflito." (Acídia: Oliveira, Fabrício Manoel) rsrsrs

E assim me arrepio.. e agora sei! Sãõ as borboletas!!!