25 de set de 2008

iminência.

acordar em dia frio,
olhos colados e calados,
vazios e transbordantes.

o silêncio grita em ouvidos calejados,
os toques soam como socos,
o estômago revira como arrepios até a espinha.

uma cama vazia apertada
lamenta uma ausência recente,
de um ontem, sempre presente.

concreto.

mãos que quase sentem o cheiro,
quase doce da amargura.

passos quase dados,
braços quase atados, dasatam a procurar.

sentir-me,
e só.

relógio parado
nostálgico

que insiste em tiquetaquear lembranças.
na boca, um gosto da música.

tua, que se desfaz minha.

sentidos que afloram de um labirinto
de noções e instituições
que, falídas e malfaladas,

nem sempre... falam.

orgulhos? temores destruidores.
destino vivendo por si só.

e o inevitável
antes inutilmente evitado.

surge.

e, antes tarde do que nunca...
medo.

2 comentários:

Anônimo disse...

Quem tem uma percepção de ler textos e sentir o que as palavras passam, pode dizer com toda certeza que esse texto se resume em apenas: desilusão.

Medo do novo, medo do velho, medo do presente.. Sempre vão existir, e depende de nós passa por cima dele pra poder enxergar apenas o amanhã sem medo. Tá certo que o que passou passou, mas passados voltam e ainda sim causam medo. De qualquer forma, mesmo que agente canse de escutar..

Só depende da gente..

Jé. disse...

esilusão, de fato não é a palavra correta!
talvez trate do destino, do curso natural das coisas... que nem sempre podemos evitar... só enfrerntar. enfrentar o novo, dá medo.